O que acontece com o sêmen durante a FIV?

por | set 12, 2026 | Fertilidade e Saúde Reprodutiva, Fertilização in Vitro

Quando se fala em fertilização in vitro, é comum que a atenção fique concentrada na estimulação dos ovários, na coleta dos óvulos e no desenvolvimento dos embriões. Mas existe outra etapa igualmente importante acontecendo no laboratório: o preparo do sêmen.

Na FIV, a amostra seminal não é simplesmente colocada junto aos óvulos da forma como foi coletada. Antes da fertilização, ela passa por avaliação e processamento para que o laboratório separe os espermatozoides do líquido seminal e prepare uma concentração adequada de células móveis para a etapa seguinte.

A forma como esses espermatozoides serão utilizados depende das características da amostra, do histórico reprodutivo e da técnica definida para o tratamento. Em alguns ciclos, óvulos e espermatozoides são colocados em contato no laboratório. Em outros, um único espermatozoide é inserido diretamente dentro do óvulo pela técnica de ICSI.

Entender esse caminho ajuda a mostrar que a fertilização também envolve uma avaliação cuidadosa do fator masculino e um trabalho laboratorial preciso em cada etapa.

 

De onde vem a amostra de sêmen usada na FIV?

Quando o projeto parental utiliza sêmen de parceiro, a amostra costuma ser coletada por ejaculação em recipiente próprio, seguindo as orientações do serviço de reprodução assistida. Em muitos tratamentos, a coleta acontece no mesmo dia da captação dos óvulos.

Também é possível utilizar uma amostra que já esteja congelada, sêmen de doador ou espermatozoides obtidos por procedimentos de recuperação cirúrgica quando existe indicação médica.

Por isso, nem toda FIV começa exatamente da mesma maneira. A origem do material e a forma de obtenção dos espermatozoides são definidas de acordo com a história clínica e com a maneira como cada família está sendo construída.

 

O que o laboratório avalia antes de usar o sêmen?

Depois da coleta, o laboratório identifica a amostra e avalia suas características antes da preparação. Quando se trata de sêmen ejaculado, esse processo pode incluir a observação de parâmetros como volume, concentração de espermatozoides, motilidade e morfologia, além de outras características que possam ser relevantes para aquele caso.

Essas informações ajudam a equipe a entender a qualidade da amostra disponível e a definir a estratégia laboratorial mais adequada.

Um resultado alterado não significa, por si só, que a fertilização será impossível. O impacto depende do tipo e da intensidade da alteração, da qualidade dos óvulos, do histórico do tratamento e de outros fatores que precisam ser analisados em conjunto.

 

O sêmen inteiro entra em contato com os óvulos?

Não. Essa é uma das principais diferenças entre o que acontece naturalmente no organismo e o que acontece dentro do laboratório de reprodução assistida.

O sêmen é formado pelos espermatozoides e pelo líquido seminal. Antes de ser utilizado na FIV, a amostra passa por técnicas de preparo que procuram concentrar os espermatozoides móveis e retirar grande parte do plasma seminal, além de separar células imóveis, detritos e outros componentes da amostra.

O laboratório pode utilizar métodos diferentes de preparação, como lavagem, técnicas de migração espermática ou gradientes de densidade. A escolha depende das características da amostra e dos protocolos do serviço.

Ao final, o que segue para a etapa de fertilização é uma preparação com espermatozoides em meio laboratorial apropriado, e não o ejaculado bruto.

 

Como os espermatozoides são usados na FIV convencional?

Na FIV convencional, uma quantidade preparada de espermatozoides é colocada em contato com os óvulos no laboratório. A partir daí, espera-se que um dos espermatozoides consiga atravessar as estruturas que envolvem o óvulo e realizar a fertilização.

Essa técnica reproduz parte do processo de seleção que ocorre antes da entrada do espermatozoide no óvulo, embora tudo aconteça em condições controladas dentro do laboratório.

A FIV convencional pode ser considerada quando a amostra seminal apresenta características adequadas e não existem fatores que indiquem a necessidade de uma técnica de micromanipulação.

 

E o que muda quando é feita a ICSI?

Na injeção intracitoplasmática de espermatozoides, conhecida como ICSI, o processo é diferente. O embriologista avalia a preparação espermática ao microscópio, seleciona um espermatozoide viável com características adequadas para o procedimento e o introduz diretamente dentro de um óvulo maduro por meio de uma micropipeta.

A ICSI pode ser indicada em situações como concentração ou motilidade espermática reduzidas, uso de espermatozoides obtidos cirurgicamente, falhas de fertilização anteriores ou outras condições definidas pela equipe médica e pelo laboratório.

A seleção visual feita no momento da ICSI observa características que podem ser avaliadas ao microscópio, mas não permite conhecer toda a qualidade genética daquele espermatozoide. Por isso, nenhum método de seleção isolado consegue garantir a formação de um embrião ou uma gravidez.

 

O que acontece com o espermatozoide depois que ele entra no óvulo?

Quando a fertilização acontece, o material genético do espermatozoide passa a participar da formação do embrião junto ao material genético do óvulo.

No laboratório, a equipe acompanha sinais específicos de fertilização e, nos dias seguintes, observa a evolução das divisões celulares e do desenvolvimento embrionário.

Isso significa que o espermatozoide não permanece como uma estrutura separada dentro do futuro embrião. O que importa a partir da fecundação é a combinação do material genético dos gametas e o desenvolvimento daquela nova célula.

 

Todos os espermatozoides da amostra são utilizados?

Não. Uma ejaculação pode conter milhões de espermatozoides, enquanto a fertilização utiliza apenas uma pequena parte da amostra preparada. Na ICSI, por exemplo, é necessário um espermatozoide para cada óvulo maduro que será injetado.

O destino do material que não foi utilizado depende do planejamento realizado antes do tratamento, dos termos de consentimento e dos protocolos da clínica. Em algumas situações, pode existir indicação para congelamento de sêmen; em outras, o material remanescente é descartado de acordo com as rotinas laboratoriais e de biossegurança.

Por isso, quando existe interesse em preservar uma amostra para uso futuro, essa possibilidade deve ser discutida previamente com a equipe.

 

E se houver poucos espermatozoides na amostra?

Uma quantidade reduzida de espermatozoides não significa automaticamente que a FIV não poderá ser realizada. A equipe avalia quantos espermatozoides móveis estão disponíveis, a qualidade dos óvulos e qual técnica oferece uma estratégia mais adequada para aquele tratamento.

Em alguns casos, a ICSI permite trabalhar com um número menor de espermatozoides porque cada óvulo é fertilizado individualmente. Quando não há espermatozoides no ejaculado, pode ser necessário investigar a causa e avaliar técnicas de recuperação diretamente do epidídimo ou do testículo, quando indicadas.

Também existem projetos parentais em que o tratamento é realizado com sêmen de doador. A escolha do caminho depende sempre do diagnóstico e das possibilidades de cada pessoa ou casal.

 

O espermograma sozinho define a chance de sucesso da FIV?

Não. O espermograma oferece informações importantes sobre a amostra seminal, mas não consegue prever sozinho se haverá fertilização, formação de embriões ou gravidez.

O resultado da FIV depende de diversas etapas: qualidade e maturidade dos óvulos, características dos espermatozoides, técnica de fertilização, desenvolvimento embrionário, condições do útero, idade, histórico clínico e outros fatores individuais.

Por isso, alterações seminais devem ser interpretadas dentro de uma avaliação reprodutiva completa e não como um resultado isolado que determina o futuro do tratamento.

 

Na FIV, o sêmen passa por um processo de seleção e preparo

Durante a fertilização in vitro, o sêmen percorre um caminho muito mais cuidadoso do que simplesmente chegar ao laboratório e ser colocado junto aos óvulos. A amostra é identificada, avaliada e processada para que os espermatozoides sejam preparados para a técnica de fertilização escolhida.

Na FIV convencional, espermatozoides preparados são colocados em contato com os óvulos. Na ICSI, um espermatozoide é inserido diretamente dentro de cada óvulo maduro selecionado para o procedimento.

Cada etapa é adaptada às características da amostra e ao projeto reprodutivo. Quando existe um fator masculino importante, uma avaliação individualizada ajuda a entender quais possibilidades podem fazer sentido antes mesmo do início do tratamento.

 

Converse com a Clínica Hope

Se você tem dúvidas sobre fertilidade masculina, alterações no espermograma ou sobre como o sêmen é utilizado durante a fertilização in vitro, a equipe da Clínica Hope pode avaliar o caso de forma individualizada e explicar cada etapa do tratamento.

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