A fertilização in vitro já ajudou milhões de famílias no mundo a realizarem o sonho de ter filhos. Mesmo assim, é natural que muitas pessoas se perguntem se a técnica pode trazer algum risco adicional para o bebê.
Essa dúvida aparece com frequência entre casais que estão considerando um tratamento de reprodução assistida. Afinal, quando falamos de gestação e nascimento, entender possíveis riscos faz parte de um planejamento responsável.
A resposta mais equilibrada, baseada em estudos científicos, é que a FIV, por si só, não é o principal fator responsável por complicações na gestação. Muitos dos riscos observados estão mais relacionados a fatores como idade materna, gravidez múltipla ou à própria causa da infertilidade do casal, e não necessariamente à técnica de fertilização em si. Com os avanços da medicina reprodutiva nas últimas décadas, diversas estratégias foram desenvolvidas justamente para reduzir esses riscos e tornar o tratamento cada vez mais seguro.
FIV pode aumentar o risco de parto prematuro ou baixo peso
Um dos pontos mais observados em pesquisas é uma leve tendência maior ao parto prematuro e ao baixo peso ao nascer em gestações obtidas por fertilização in vitro, especialmente quando há gestação gemelar ou múltipla.
Essas situações ocorrem com mais frequência quando há gravidez múltipla, como gêmeos ou trigêmeos. Isso acontece porque, historicamente, mais de um embrião era transferido durante o tratamento para aumentar as chances de gravidez.
Hoje sabemos que gestações múltiplas apresentam maior probabilidade de:
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parto prematuro
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baixo peso ao nascer
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necessidade de cuidados neonatais especializados
Por isso, muitas clínicas adotam atualmente a estratégia de transferência de um único embrião, especialmente quando existem boas condições para implantação. Essa abordagem reduz significativamente os riscos associados à gravidez múltipla.
Outro ponto importante é que mulheres que recorrem à FIV frequentemente têm idade materna mais avançada ou condições médicas associadas, como hipertensão ou diabetes gestacional, que também podem influenciar o curso da gestação.
Gravidez múltipla é mais comum na FIV?
A fertilização in vitro pode aumentar a chance de gravidez múltipla quando mais de um embrião é transferido.
Gravidezes com dois ou mais bebês naturalmente exigem mais acompanhamento médico e apresentam maior probabilidade de algumas complicações obstétricas. Entre elas estão parto prematuro, crescimento fetal reduzido e necessidade de acompanhamento neonatal após o nascimento.
Por esse motivo, a medicina reprodutiva evoluiu bastante nas últimas décadas e hoje prioriza protocolos mais seguros, com a transferência de apenas um embrião sempre que possível. Essa estratégia reduz de forma importante os riscos sem comprometer de maneira relevante as taxas de sucesso do tratamento.
Bebês de FIV têm mais risco de malformações?
Outra dúvida comum diz respeito ao risco de malformações congênitas.
Em gestações naturais, o risco de malformações congênitas fica em torno de 3% a 5%. Estudos mostram que esse risco permanece próximo dessa faixa também em gestações por fertilização in vitro, especialmente quando levamos em conta fatores como idade materna, condições de saúde da gestante e a qualidade do acompanhamento pré‑natal.
Algumas pesquisas identificam um pequeno aumento estatístico em certos tipos de malformação, principalmente em contextos de infertilidade mais complexa ou quando há fatores genéticos envolvidos. Mesmo assim, o risco absoluto continua relativamente baixo, e a grande maioria dos bebês concebidos por FIV nasce saudável.
Entre as alterações relatadas com maior frequência em estudos estão malformações relacionadas ao coração, sistema urinário e rins, mas a ocorrência geral permanece dentro de uma faixa considerada baixa.
Quando utilizamos técnicas de biópsia embrionária, como o PGT-A, para analisar o perfil cromossômico dos embriões, podemos reduzir a chance de transferir embriões com alterações cromossômicas importantes, o que ajuda a manter o risco de malformações em níveis próximos ao da população geral.
Desenvolvimento da criança após FIV é diferente?
Outra preocupação frequente é se crianças concebidas por fertilização in vitro apresentam diferenças no desenvolvimento cognitivo ou neurológico.
De maneira geral, estudos de acompanhamento a longo prazo mostram que crianças nascidas por FIV apresentam desenvolvimento cognitivo, motor e social semelhante ao de crianças concebidas naturalmente, quando comparadas em contextos semelhantes.
Algumas pesquisas observaram pequenas variações em situações específicas, principalmente associadas à prematuridade ou a condições clínicas prévias dos pais, e não diretamente à técnica de FIV. No entanto, o risco absoluto continua baixo e a maioria das crianças apresenta desenvolvimento completamente normal.
Mitos e verdades sobre bebês de FIV
Com o crescimento da reprodução assistida, também surgiram alguns mitos sobre a saúde de crianças concebidas por essas técnicas.
Um deles é a ideia de que bebês de FIV seriam naturalmente mais frágeis ou mais propensos a doenças. Essa afirmação não encontra respaldo científico; a grande maioria das crianças nascidas após fertilização in vitro cresce saudável.
Outro equívoco comum é acreditar que a técnica em si poderia causar doenças genéticas. Na realidade, fatores como idade materna avançada, histórico familiar ou alterações genéticas que já existiam no casal são os principais determinantes nesse aspecto.
Em alguns casos, a própria reprodução assistida pode ajudar a reduzir o risco de determinadas doenças hereditárias por meio de testes genéticos realizados nos embriões antes da transferência.
O que a medicina faz hoje para reduzir riscos na FIV?
A medicina reprodutiva evoluiu muito nos últimos anos e diversas estratégias são utilizadas para tornar o tratamento cada vez mais seguro.
Uma das principais mudanças foi a adoção mais frequente da transferência de embrião único, que diminui significativamente a ocorrência de gravidez múltipla e suas complicações.
Além disso, gestantes que engravidam por reprodução assistida costumam receber acompanhamento pré-natal cuidadoso, com monitoramento de pressão arterial, glicemia e crescimento fetal, o que contribui para identificar precocemente qualquer alteração.
Em algumas situações específicas, pode ser indicado também o teste genético em embriões antes da transferência, conhecido como PGT, que inclui o PGT-A para análise cromossômica. Esse exame pode ajudar a selecionar embriões com maior chance de desenvolvimento saudável e reduzir o risco de algumas complicações associadas a aneuploidias.
Conclusão: a maioria dos bebês de FIV nasce saudável
A fertilização in vitro é uma técnica consolidada da medicina reprodutiva e já permitiu o nascimento de milhões de crianças ao redor do mundo.
Embora alguns riscos obstétricos possam aparecer com uma frequência ligeiramente maior em comparação com gestações espontâneas, esses riscos costumam estar muito mais ligados a fatores como idade materna, gravidez múltipla ou condições associadas à infertilidade do que à técnica em si.
Com os avanços das técnicas atuais, o uso de estratégias como transferência de embrião único e, quando indicado, testes genéticos embrionários, além de um pré‑natal bem acompanhado, a maioria das gestações por FIV evolui de forma saudável.
Buscar informação de qualidade e conversar com especialistas em reprodução assistida ajuda a entender melhor cada situação e tomar decisões mais seguras ao longo dessa jornada.
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